Folhas soltas | Carla Pereira | Realização, Cinema e TV 17/19

09:30 | 17/01/2019

Mulheres no mundo do Cinema: “Mulheres bem comportadas raramente fazem história” Marylin Monroe

Carla Pereira | Relização, Cinema e TV | 17/19

Com apenas uma câmara na mão e uma nova ideia, conseguimos transmitir a dezenas, centenas e milhares de pessoas, de forma artística e diversa, a nossa visão do mundo, as nossas opiniões e as nossas histórias. No entanto, se vivemos numa sociedade onde existe desigualdade de género em cada área de trabalho, não seria de esperar que no mundo do cinema fosse diferente.

Até meados do século XX, a mulher desempenhava apenas funções de dona de casa, esposa e mãe, e tinha a sua representação como sensível e frágil. Ao analisar a história do cinema, como surgiu e a sua evolução até aos dias atuais, percebe-se que a mulher não influenciou o surgimento da sétima arte.

Contudo, mesmo que os grandes feitos primordiais do cinema tenham sido protagonizados por experiências feitas por homens como William George Horner e a invenção do cinematógrafo, por Thomas Edison, o papel da mulher na história do cinema sofreu uma grande evolução. Sendo que em 1960, o movimento feminista começou a expandir-se questionando o papel da mulher na sociedade.

Alice Guy foi a primeira mulher a escrever e a dirigir filmes por conta própria e em 1986 começou a produzi-los. Mesmo com uma mulher a entrar tão cedo no mundo do cinema, a representatividade feminina, até hoje, ainda não é relevante.

Segundo um estudo feito pelo Center of Women in Television and Film da Universidade de San Diego, a percentagem de mulheres atrás das câmaras, dos filmes mais lucrativos realizados até hoje, é de apenas 7%.

O resultado mais visível dessa exclusão de mulheres do processo de produção é o fraco desenvolvimento das personagens femininas, onde estas em geral têm menos falas e mais cenas de nudez do que personagens masculinos. Está claro que a participação da mulher, seja atrás ou à frente da câmara, é limitada.

Um exercício interessante é o teste de Bechdel. Criado pela cartunista Alison Bechdel, o teste visa definir se um filme possui realmente personagens femininas através de um simples critério. O filme deve ter pelo menos duas mulheres com nomes e que dialoguem sobre algo que não seja um homem ou as ações de um. No site bechdeltest.com, nota-se que aproximadamente 40% dos filmes não passam no teste.

Só posso concluir que ainda temos um longo e tortuoso caminho pela frente até atingirmos a tão almejada justiça de género dentro desta indústria. Até lá, continuamos a trabalhar e a abrir caminhos com o nosso empenho e atitude. Como Marylin Monroe disse: “Mulheres bem comportadas raramente fazem história”.

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Foto: @Alice_G_B

Fontes: http://medium.com | http://falauniversidades.com.br | http://mulheresnocinema.blogs.sapo.pt | http://mulheresemluta.blogspot.com

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